Cirurgia de estômago diminui medidas, mas aumenta depressão. Psicólogo revela como se livrar da alma de gordo, após cirurgia de estômago num livro didático.
O número de brasileiros acima do peso ideal tem aumentado consideravelmente nas últimas décadas em nosso País. Uma boa parcela dessas pessoas já se encontra na categoria de obesos mórbidos/grave risco de morte.
Segundo dados da OMS ? Organização Mundial de Saúde, no Brasil, cerca de 40% da população está acima do peso. Destes 20% são obesos e 8% são obesos mórbidos. A taxa de mortalidade é 12 vezes maior para pessoas com obesidade mórbida, na faixa de 25 e 40 anos, em relação as pessoas com peso normal. Nos últimos anos, muitos destes obesos mórbidos têm se submetido à cirurgia bariátrica, mais conhecida como redução de estômago.
Outro dado alarmante é que a obesidade infanto-juvenil no País cresceu 240% nos últimos 20 anos e a incidência de obesidade mórbida está levando jovens à mesa de cirurgia numa tentativa radical de emagrecer e regredir doenças associadas como hipertensão e diabetes.
Mas o que acontece com os obesos mórbidos que se submetem à cirurgia bariátrica? Preocupado em desvendar esta questão, o psicólogo Francisco Carlos Gomes dos Santos acaba de lançar o livro ?Magro. E agora??.
Em seu livro, Francisco C. G. Santos relata o drama, a alegria e a crise de alguns obesos que passaram pela cirurgia bariátrica, a opinião de médicos e psicólogos que atuam com este tipo de paciente, além de alertar sobre os problemas que enfrentarão com sua nova identidade.
O interesse de Francisco C.G.dos Santos sobre o tema surgiu quando teve a oportunidade de acompanhar de perto todo o sofrimento de sua esposa, na condição de obesa mórbida, que passou por vários tratamentos médicos para emagrecer sem sucesso, até a cirurgia e sua crise de identidade pós-cirurgia.
A primeira idéia que se tem é que as pessoas que foram submetidas à cirurgia bariátrica estão curadas, pois ficam magras, mais saudáveis e mais bonitas. Não é bem assim. O autor alerta que a cirurgia nem sempre é o fim de uma angústia e de anos de sofrimento, muito menos, uma receita para a felicidade.
Para o autor, é necessário que o paciente que se submete à cirurgia tenha consciência que precisa desenvolver maior autonomia e responsabilidade pelo cuidado com a própria vida, conseguir sua emancipação. Essa auto-reflexão deve ser realizada antes e após a cirurgia, para que o indivíduo possa compreender e viver melhor com sua nova identidade.
Como se identificar com uma nova corporeidade é exaustivamente abordado pelo autor. Pois os pacientes libertam-se de seus corpos obesos quando fazem a cirurgia bariátrica, mas em muitos casos estes pacientes não se libertam de seus personagens mórbidos, que os acompanham por muitos anos.
O texto traz também informações sobre os tipos de cirurgias, qual o tempo de duração de cada uma, como deve ser a reeducação alimentar após a cirurgia, e outras orientações. Francisco adverte ainda para casos de pessoas que estão com o IMC ? Índice de Massa Corpórea - inferior a 40. Desesperadas para emagrecer, essas pessoas estariam engordando para serem submetidas à cirurgia bariátrica, já que os médicos só sugerem a cirurgia para pessoas com IMC acima de 40.
Os parâmetros de peso definidos pela OMS são:
IMC de 20 a 25 = peso normal IMC de 25 a 30 = sobrepeso IMC de 30 a 40 = obeso IMC de 40 a 50 ou mais = obeso mórbido.
Outro dado alarmante descrito na obra diz respeito à obesidade infanto-juvenil, que cresceu 240% nos últimos 20 anos. A incidência de obesidade mórbida está levando jovens à mesa de cirurgia numa tentativa radical de emagrecer e regredir doenças associadas como hipertensão e diabetes.
O autor é psicólogo, mestre em Psicologia Social pela PUC-SP, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia para o Estudo da Obesidade, dos Distúrbios Alimentares e da Imagem Corporal e Especialista em Magistério do Ensino Superior da Cogeae-PUC-SP.
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