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QUINTA-FEIRA | 20 de junho de 2013
 
Penal
Autorizado a calar, Dantas solta o verbo para não afundar sozinho
 

Os deputados avaliaram que o banqueiro Daniel Dantas (foto) aproveitou o depoimento para mandar uma série de recados a autoridades e dizer que não vai "afundar sozinho", conforme definiu o deputado Raul Jungmann (PPS-PE).

O relator da CPI, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), acredita que a reunião foi produtiva, mas prejudicada pelo fato de os deputados não terem tido acesso aos inquéritos das operações Chacal e Satiagraha da Polícia Federal, o que permitiu que Dantas fizesse acusações sem ser muito contestado.

Segundo o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), a audiência deixou claro que não existem "mocinhos" nos negócios do setor de telefonia. Ele não descartou a possibilidade de haver uma acareação entre Daniel Dantas e o delegado Protógenes Queiroz.

Investigar filho de Lula

O banqueiro Daniel Dantas afirmou que o delegado Protógenes Queiroz disse a ele, durante o depoimento do empresário na Polícia Federal, que iria investigar o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva.

Em janeiro de 2004, a empresa Gamecorp, do filho do presidente, recebeu R$ 5 milhões da Telemar. Os investimentos da empresa de telefonia são apontados como suspeitos porque duas instituições de interesse público possuem ações da Telemar - o fundo de pensão dos funcionários da Petrobras (Petros), que é dono de 19,9% das ações da empresa, e o BNDES, com 4,7%.

Recomendações

Segundo Dantas, Protógenes fez duas recomendações a ele. Primeiro, não falar com a imprensa, porque a divulgação estaria prejudicando ele próprio. O banqueiro respondeu ao delegado que queria esclarecer na imprensa o que houve na operação envolvendo a Brasil Telecom. Protógenes também aconselhou Dantas a não tentar trazer o material investigado na Itália, porque a Polícia Federal já tinha investigado e era falso. Por último, o delegado informou que iria investigar a fundo a venda da Brasil Telecom para a Telemar.

Para Dantas, toda celeuma provocada pela investigação é muito estranha e indica que "há mais coisas aí". Dantas diz que estranhou o interesse policial numa negociação comercial privada. "É dito que é uma investigação criminal, mas não é possível uma celeuma que envolva presidente da República, ministro da Justiça e ministro do Supremo. É como se a cúpula do Vaticano se reunisse para decidir se preguiça é pecado capital."

Dantas explica por que contratou Greenhalgh

O banqueiro Daniel Dantas explicou que o advogado e ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh foi contratado para desfazer um conflito societário na operação de venda, para os fundos de pensão, da participação do Grupo Opportunity na Brasil Telecom.

Dantas admitiu que o objeto desse contrato não se concretizou, mas que pagou ao advogado para orientá-lo a agir quando começaram a aparecer acusações de que o Opportunity estava tentando sabotar a venda da Brasil Telecom para a Telemar. "Luiz Eduardo Greenhalgh fez uma série de estudos sobre circunstâncias e propostas e percebeu que estávamos falando a verdade, mas os fatos estavam sendo deturpados."

Dantas nega provas sobre pressão de Gushiken

O banqueiro Daniel Dantas foi questionado pelo deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) sobre eventuais pressões do ex ministro Luiz Gushiken, da Secretaria de Comunicação do Governo, para que o Grupo Opportunity repassasse sua participação na Brasil Telecom para os fundos de pensão, especialmente a Previ, a Funcef e a Petros. Dantas admitiu que recebeu informações de que havia movimentação de Gushiken nesse sentido, mas o banqueiro ressaltou que não pôde provar nada.

Dantas nega suborno a delegado

Em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas, o banqueiro Daniel Dantas negou participação em tentativa de suborno a um delegado da Polícia Federal durante a Operação Satiagraha. Ele enfatizou que o dinheiro encontrado pelos investigados não era do Grupo Opportunity.

O ex-presidente da Brasil Telecom Humberto Braz foi acusado de tentar subornar um delegado da operação. Segundo as investigações da Polícia Federal, Braz, que seria o "braço direito" do banqueiro, teria oferecido a propina a mando de Dantas.

Satiagraha

Sobre a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, Dantas disse que em novembro de 2007 foi informado de que havia uma operação da PF na qual ele estava sendo investigado. O banqueiro, porém, afirmou que não deu importância porque "havia muitas histórias e aquela parecia mais uma".

Dantas conta que só ficou preocupado quando saiu matéria no jornal Folha S.Paulo com muitos detalhes sobre a possível operação. Ele suspeita que foi investigado pela Polícia Federal por retaliação do diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, em razão de matéria publicada em revista na qual citava Lacerda como detentor de contas irregulares no exterior, segundo fonte do Banco Opportunity. Dantas disse que até mandou carta para Lacerda negando tudo, mas ouviu dizer que "Lacerda queria colocar um par de algemas por conta da matéria."

Dantas também relativizou sua relação com Humberto Braz, que estava preso até ontem em razão das investigações da Operação Satiagraha. O banqueiro negou que tenha contratado Braz e que o tenha conhecido por ser o presidente da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT). Agora, Braz presta consultoria para a Brasil Telecom.

Banqueiro acusa Telecom Itália de grampos ilegais

O banqueiro Daniel Dantas acusou a empresa Telecom Itália de ter realizado escutas telefônicas ilegais. Ele ainda afirmou que já depôs contra a empresa em processo na Promotoria de Milão, na Itália.

O banqueiro relatou que responde a três ações na Justiça. Uma sobre a empresa americana Kroll Associates; uma pela contratação de um profissional para realizar investigações ilegais, o que ele também nega; e a ação que diz respeito à Operação Satiagraha da Polícia Federal, que o levou à prisão.

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Fonte: Ag. Câmara
Data: 13/08/2008
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