O estudante Guilherme Amorim de Oliveira Alves, de 18 anos, foi preso pela segunda vez no dia 20, em Petrópolis (RJ), sob a acusação de clonar sites de instituições bancárias do Brasil e do Exterior e de aplicar golpes em correntistas pela Internet. Em Campo Grande (MS), onde está preso na Polícia Federal, ele ter invadido os sistemas bancários virtuais de sete bancos brasileiros, mas se recusou a dar os nomes das instituições.
De acordo com o jornal Correio do Estado, as investigações da própria PF, da Polícia Civil Estadual e do serviço de inteligência do Banco do Brasil teriam descoberto que a quadrilha liderada por Guilherme Amorim havia conseguido clonar sites do próprio Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, do Bradesco e do Itaú. Segundo agentes da CgCoie ? Coordenação Geral do Combate ao Crime Organizado, o estudante teria criado páginas idênticas às de bancos brasileiros, como o Bradesco, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, além de instituições da Coréia, do Peru e dos Estados Unidos. Ele teria conseguido ter acesso às senhas e números de contas correntes e de cartões de crédito, informou a Folha de S. Paulo.
De posse desses dados, o estudante teria feito compras, saques e transferências. O número de vítimas ainda não foi determinado.
O delegado Adauto Martins, da Polícia Federal, deslocou-se de Brasília, onde estava conduzindo o inquérito, para Campo Grande, para interrogar Guilherme Amorim, e a namorada dele, Maria Cecília, que morava em Americana (SP), e o policial militar Evananci Alcântara, que reside em Corumbá (MS).
A Justiça Federal expediu mandados de prisão contra outros membros da quadrilha, cujos nomes não foram divulgados. Outras dez pessoas que fariam parte da quadrilha, incluindo estrangeiros, estão sendo investigadas.
INQUÉRITO SIGILOSO
Conforme noticiou o Correio do Estado, a ação penal movida contra Guilherme Amorim está recebendo da Justiça Federal tratamento sigiloso. O advogado do hacker, Ricardo Curvo Araújo, teve de pedir auxílio ao SOS Advogado ? serviço da OAB ? para ter acesso aos autos.
No último sábado (22/2), o advogado foi ao Fórum da Justiça Federal, para ler os documentos, mas foi impedido pelo juiz de plantão Gilberto Mendes Sobrinho.
Ele só conseguiu ter acesso ao processo no fim da tarde, por volta das 18 horas, depois da interferência do presidente da OAB-MS, Wladimir Rossi, que classificou de absurda a violação de prerrogativas ?como impedir o acesso aos autos?.
O hacker foi preso pela primeira vez em junho de 2002 em Campo Grande, sob suspeita de ter aplicado um golpe de 12 mil dólares em um banco brasileiro, mas foi solto após duas semanas por ter obtido um habeas corpus. Em entrevistas, ele afirmou que não era hacker, e sua família acusou os policiais de terem torturado Guilherme.
Na época, a polícia apreendeu em poder do hacker um notebook com dados referentes a cerca de 50 contas bancárias e também de 3 500 clientes americanos dos cartões de crédito Mastercard e American Express, segundo laudo divulgado pela Delegacia Especializada de Repressão a Defraudações, Falsificações e Crimes Fazendários (Dedfaz). O apelido usado por Amorim em chats, com outros seis suspeitos, era Hwtrap.
Fonte: Fontes: Correio do Estado e Folha de S. Paulo