A crise dos grampos ilegais fvez cair o valor das ações do grupo News Corp, terceiro maior conglomerado de mídia do mundo, controlado pelo magnata australiano Rudolph Murdoch. E Murdoch assiste ao declínio da circulação de alguns de seus títulos e o crescimento das vendas de jornais de grupos concorrentes, como o Trinity Mirror, que possui um grande jornal diário - The Daily Mirror, publicado desde 1903, com cerca de 3,5 milhões de leitores - e dois jornais dominicais de circulação nacional, mais centenas de jornais regionais espalhados pelo Reino Unido.
O caso das escutas telefônicas ilegais por parte do tabloide News of the World, que inicialmente afetava essencialmente figuras políticas e famosos, agravou
-se nos com a denúncia de que até quatro mil pessoas, incluindo vítimas de crimes e familiares de vítimas de atentados terroristas e de soldados mortos no Iraque e no Afeganistão, podem ter sido alvo de grampos.
Depois do escândalo dos grampos ilegais, a News Corp anunciou o fechamento do centenário The News of the World. De acordo com a BBC, a News Corporation, teve uma queda de 22% nos lucros no segundo trimestre de 2011. Logo após Murdoch comparecer ao Parlamento britânico, no dia que ele classificou como "o mais humilhante de minha vida", as ações da News Corp caíram 4,3% para 14,97 dólares em Nova Iorque, fazendo o seu valor cair 17,4% ou 8,3 mil milhões de euros desde 4 de julho, conforme informou o Financial Times, de Londres.
O lucro líquido da corporação no período de três meses encerrado em 30 de junho ficou em 683 milhões de libras (R$ 1,78 bilhão). No mesmo período do ano passado, o lucro líquido da News Corporation foi de 875 milhões de libras.
Já a receita bruta da empresa cresceu 11% no segundo trimestre de 2011, chegando a 9 bilhões de libras (R$ 23,5 bilhões). O motivo principal para a queda nos lucros da News Corporation foi a menor arrecadação em bilheterias com os filmes do conglomerado, além da redução na venda de DVDs.
Embora tenha dito que os resultados são bons, o presidente da News Corporation, Rupert Murdoch, admitiu dificuldades causadas pelo escândalo dos grampos, que além do News of the World, levou à demissão de executivos.
Agora, circulam notícias de que os acionaistas da News Corp gostariam de ver a administração da companhia mais convencional e comedida. "Menos espalhafato e mais lucros aos investidores" - este seria o recado que está sendo transmitido a Murdoch.
No mês passado, a agência de classificação de risco Standard & Poors informou planejava baixar a nota do grupo de mídia News Corp., atualmente em “BBB+”. A decisão da Standard & Poors "reflete o aumento dos riscos associados às atividades e à reputação" do grupo, "em um momento em que o processo judicial amplia-se", informou a agência em comunicado.
"O processo judicial na Grã-Bretanha ampliou-se e as pressões provenientes de legisladores americanos em favor de uma investigação do FBI ficaram mais intensas", completa a S&P.
Analistas afirmam outro fato recente relacionado com o grupo News Corp influenciou negativamente. A compra do site MySpace por US$ 580 milhões, em julho de 2005, foi um fiasco. O portal foi revendido por apenas US$ 30 milhões em 2011.
Além das investigações contínuas pelo governo birtânico e pelo FBI e por órgãios reguladores dos EUA, a News Corp anunciou que admitiu a sua responsabilidade em vários casos civis relacionado às interceptações telefônicas ilegais, o que renderá indenizações aos prejudicados. O escândalo dos grampos abortou uma rentável operaçõa planjeada por Murdoch. Em junho de 2010, a News Corp anunciou que tinha proposto a aquisição do controle do grupo BSkyB, um sistema de televisão por satélite, no qual tinha aproximadamente 39% das ações. Após as repercussões negativas do escândalo, porém, no dia 13 de julho de 2011, a News Corp anunciou a desistência de ficar com o controle da BSkyB. Em consequência da desist~encia do negócio, a News Corp pagou à BSkyB uma indenização de aproximadamente US$ 63 milhões.
Em julho, a News Corp se desfez de seus negócios de propaganda ao ar livre na Rússia e na Romênia, numa operação que irá render cerca de US$ 360 milhões. A medida é vista por analistas como estratégia para capitalizar o grupo no ano fiscal de 2012. Trinity Mirror
Dentro da visão de que os investidores buscam opções de investimento menos arriscadas, a Trinity Mirror é, agora, a companhia dos sonhos de alguns analistas do setor de mídia. A sóbria administração do grupo Trinity Mirror seria um atrativo para os investidores. Em 2010, o grupo Trinity Mirror registrou aumento de 17% em lucros operacionais, mais um crescimento de 14% sobem em lucros antes dos impostos, além da queda de 18% da dívida líquida. As publicações regionais do Trinity Mirror tiveram crescimento de 15% na margem de lucro de 15.6%.
Num momento em que a circulação decrescente dos jornais é uma tendência difícil de ser revertida, o grande temos dos investidores está relacionado com as possibilidades crescentes de prejuízos para quem investe no setor. A outrora vantajosa margem de lucro do setor de mídia - a margens giravam em torno de 30% recuou para menos de um terço.
O setor de publicidade regional está acentuado declínio na Inglaterra. A crise econômica europeia levou os jornais regionais britânicos a uma queda de 65% nas receitas em publicidade. Com isso, surgiram boatos de que o setor seria sacudido por uma onda de fusões e aquisições. Mas os analistas mais experientes não apostam em fusões tão cedo, diante da dificuldade de conciliar os interesses políticos dos proprietários dos principais jornais britânicos.
Há quem aposte que o grupo Trinity Mirror irá "herdar" alguns acionistas decepcionados com o grupo de Murdoch. Com a economia de escala proporcionada por um eficiente sistema de administração, baseado em sistemas e impressão centralizados, e métodos de controle de custos eficientes, o grupo Trinity Mirror pode sair ganhando com o acentuado desgaste provocado na News Corp pelo escândalo dos grampos.
Carisma ainda conta
Mas há quem ache cedo para decretar a derrota de Murdoch. Uma legião de investidores ainda segue o carisma pessoal do dono do império de mídia. Ele mantém o tabloide The Sun, o mais popular da atualidade, o tradicional The Times e o Sunday Times. Também possui, entre outros 175 títulos, o The Australian e o The New York Post. Em 2007, um dos maiores êxitos do grupo foi a compra da Dow Jones e do prestigiado Wall Street Journal, por um total de US$ 5,6 bilhões.
Murdoch, que instalou em 2004 a sede do grupo em Nova York, transfere cada vez mais suas responsabilidades a seus dois filhos: James, 38 anos, presidente da News International, o braço britânico do grupo News Corp, e Elizabeth, 42 anos, que entrou no conselho de administração após a aquisição por parte do grupo de sua empresa de produção Shine no início do ano.
A audácia, visão e "faro" de Murdoch por bons negócios no segmento de mídia ainda são ingredientes valorizados na combalida imprensa britânica. Recentemente, dois importantes jornais locais - The Independent e The Evening Standard - foram adquiridos por um oligarca russo, enquanto os demais títulos não possuem a participação cruzadas em outros meios de comunicação - emissoras de rádio, TV, TV a cabo, TV por Satélite, Internet e produção de filmes - como ocorre com o grupo News Corp.
Depois de herdar de seu pai em 1952 a direção do jornal The Adelaide News em seu país nativo, a Austrália, Murdoch partiu nos anos 1960 para a disputa com a imprensa britânica.
Na Inglaterra, adquiriu primeiramente o News of the World e depois o The Sun, o tablóide mais popular da atualidade, o tradicional The Times e o Sunday Times. Também possui, entre outros 175 títulos, o The Australian e o The New York Post. Mas Murdoch não se limitou aos meios impressos.
Por meio de aquisições estratégicas, conseguiu transformar sua rede de jornais em um dos maiores conglomerados de mídia do mundo, adquirindo o contorle dos estúdios de cinema e dos canais de TV paga FOX, das operadoras de TV por assinatura SKY e DirecTV (incorporada no final de 2003 pela News), além de montar redes de publicidade ao ar livre em vários países. A compra do diário Times, de Londres, e da agência de notícias e informações econômicas Dow Jones e do Wall Street Journal, sediados nos EUA, trouxeram mais prestígio ao grupo.
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