O jornalista Lee Horton, ex-editor esportivo do tabloide The People (foto), editado em Londres pela Trinity Mirror, foi condenado a 15 meses de detenção por ter fraudado registros da empresa para desviar 370 mil libras em pagamentos por reportagens inexistentes. A fraude teve início em 2000 e terminou em junho de 2008, dois meses antes de Lee Horton ter sido suspenso.
A empresa Trinity Mirror iniciou uma investigação interna para apurar "irregularidades financeiras" e, em setembro de 2008, teve início uma ação civil contra Horton e reembolsou a empresa em cerca de 300 mil libras desde então. O restante será reembolsado quando a casa do ex-editor for vendida. Horton "inventou" 1.690 pedidos de pagamento por contribuições ao jornal de supostos "free lancers". Como os valores eram modestos, entre 150 e 390 libras, o jornalista conseguiu a liberação, pois sabia que somente pagamentos acima de 500 libras tinham de ser aprovados pelos chefes. Para dar autenticidade à fraude, o ex-editor de esporte criou 12 contas diferentes para receber os depósitos dos pagamentos pelas reportagens fictícias, desviando 370.406 libras. O salário do jornalista, de 90 mil libras anuais, não era compatível com os gastos que ele fez. Ele alegou que gastou o dinheiro com a educação da filha. Horton teria feito doações à escola da filha, que tem a síndrome de Down, e teria feito gastos em um torneio de golfe para agradar aos colegas.
O jornalista foi condenado a 15 meses de prisão em Southwark. Horton, cuja a esposa está se divorciando, confessou ter falsificado a contabilidade da empresa e ter feito manobras para lavar o dinheiro desviado.
Ao proferir a sentença que condenou Horton, o juiz John Price lamentou o destino do jornalista. "Você tem sofrido de ansiedade e depressão, e sua esposa está movendo uma ação de divórcio. É um caso extraordinário e triste", lamentou o juiz. "Fico triste por fazer o que eu tenho de fazer." Para Price, Horton é um homem decente que caiu em tentação. "Mas agora terminou, e você estará fora dessa confusão em alguns meses", ponderou o juiz. "Passará." O advogado da empresa, David Levy, disse que Horton foi "ganancioso" e "ridiculamente generoso" com o dinheiro alheio. Já Tara McCarthy, advogada de defesa do jornalista, afirmou que a vítima de Horton não "era uma senhora velha vulnerável". Ela acrescentou que Horton tinha trabalhado anteriormente em vários e nunca teve um estilo de vida pródigo. "Ele cometeu um erro estúpido", reconheceu a advogada. "E o que fez ele com o dinheiro? Ele não comprou um Ferrari", justificou McCarthy. "Ele perdeu tudo. A casa, a aposentadoria e até a esposa." "E ele nunca mais vai poder trabalhar no setor que ele mais gosta, nem como jornaleiro ou como jornalista, porque ninguém mais do segmento jornalístico lhe dar emprego", observou a advogada.
Reembolso
Em 2008, quando a fraude foi descoberta, Lee Horton concordou em reembolsar a empresa em quase 500 mil libras. Suspeitava-se, na época, que a fraude vinha sendo praticada havia mais de sete anos. Horton foi preso pela primeira vez em 2008, ao completar 52 anos, pela Polícia Metropolitana de Londres, e solto em seguida mediante pagamento de fiança. A acusação original apontava que Horton tinha recebido um total de pelo menos 376.225 libras indevidamente, entre 2001 de janeiro e agosto de 2008 em mais de 1.600 operações de pagamento de colaborações fictícias. O reembolso do prejuízo não livrou o jornalista do processo criminal.
The People The People é uma publicação que se dedica à cobertura de esportes, celebridadee e comportamento. Com seu estilo leve e acessível tornaram a publicação semanal em uma das mais lidas da editora Trinity Mirror, com mais de um milhão de leitores.
The People é uma das cinco publicações nacionais da Trinity Mirror, que também edita o tradicional Daily Mirror, Sunday Mirror, Daily Record e Sunday Mail. Integram o portfolio da empresa 150 publicações regionais, dentre os quais se destacam os jornais Liverpool Echo, Liverpool Daily Post, Manchester Evening News, Newcastle Journal, Evening Chronicle, Western Mail, Birmingham Mail, Birmingham Post, Coventry Telegraph e Paisley Daily Express.
No segmento de jornais regionais, a Trinity Mirror publica ainda seis jornais gratuitos, que são distribuídos em estações de metrô de Newcastle, Birmingham, Liverpool, Cardiff, Trafford e na Escócia. A empresa mantém 500 produtos online, incluindo portais de notícias e sites móveis.
A empresa possui nove parques gráficos espalhados pela Inglaterra. A Trinity Mirror Printing, empresa gráfica do grupo, foi fundada em 2005, e hoje imprime jornais de terceiros. Considerada a maior gráfica de jornais da Inglaterra, a empresa imprime jornais de outras editoras, como o tradicional diário The Independent.
Fundada em 1832, a Trinity Mirror iniciou as suas atividades com a publicação do The Newcastle Journal. Em 1953, o principal jornal do grupo, The Daily Mirror, bateu o recorde mundial de vendas, atingindo a marca de sete milhões de exemplares. A empresa passou a ter suas ações comercializadas pela Bolsa de Valores de Londres (London Stock Exchange) em 1953.
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