A alta especialização da engenharia e o diversificado poder tecnológico do Japão estão sendo cogitadas para passar à produção e exportação de de armas, após o término da "autoproibição" que o País adotou desde os meados da década de 1970. De acordo com o jornal Nikkei, a liberação para a exportação de armas "visa reduzir os custos e estimular a indústria da defesa nacional, promovendo o desenvolvimento conjunto e de produção das principais armas, como a próxima geração de caças, em colaboração com os EUA e a Europa", adiantou o jornal. A controvertida decisão deverá encontrar forte oposição da classe média e dos movimentos pacifistas do país. Apesar da oposição, os benefícios econômicos expressivos para o Japão justificam a abertura, e poderá reordenar a indústria de defesa global. Analistas já fazem previsões para a conversão da indústria civil de robótica de Japão para uso do exército e do setor de defesa. A indústria aeronáutica e o setor de hardware são apontados como grandes beneficiários da nova fase da indústria bélica japonesa. O fim do embargo de 33 anos para a exportação de armas pelo Japão já movimenta empresas de engenharia pesada, uma das poucas áreas de produção dotadas de imensos recursos técnicos do Japão que, por razões puramente políticas, não se tornou em "player" global dominante.
Reação à Coreia do Norte
O primeiro ministro Taro Aso deve começar anunciando o relaxamento da proibição que hoje impede que as empresas japonesas participem de projetos de produção de armamentos junto com fabricantes de defesa norte-americanos e europeus. O fim dessa proibição deverá resultar, num curto espaço de tempo, em projetos rentáveis para a indústria japonesa. A única exceção para a proibição aconteceu em 2005, quando o Japão trabalhou com companhias dos EUA em um sistema de defesa antimíssil para a defesa em relação à Coréia do Norte. O Japão justifica a volta à produção de armamentos como uma resposta ao avanço do poderio bélico e nuclear do regime de Pyongyang. O Japão anunciou ter gasto aproximadamente US$ 6,2 bilhões no projeto de defesa antimisseis desenvolvido em conjunto com os Estados Unidos.
Novos mercados A produção em conjunto e a possibilidade de conquistar parte significativa do mercado internacional irão atrair mais indústrias japonesas para o setor de defesa. Com isso, o governo japonês espera obter uma sensível diminuição nos custos de produção e, por extensão, conquistar o mercado externo. Mesmo com as vendas limitadas estritamente para o mercado doméstico, várias empresas dos maiores conglomeradosm industriais do país, como as indústrias pesadas de Mitsubishi (MHI), já estão entre os 30 maiores fornecedores de hardwares militares. A MHI já produz um jato de guerra e um hardware naval, itens considerados de alta tecnologia. Apesar de ser rigidamente obedecida, a proibição de exportações bélicas, vigente desde 1976 no Japão, nunca foi instituída por lei. Por isso, a proibição poderá ser levantada pelo primeiro-ministro sem grandes formalidades, sem precisar passar pelo parlamento.
Em razão da informalidade da proibição, a esperada oposição do Partido Democrático de Japão, de centro-esquerda, não representará grandes obstáculos. Mas o governo já adiantou que não permitirá exportações para países que apóiam ou patrocinem "atos de terrorismo". A decisão para levantar a proibição foi estudada durante vários anos, e foi apressada para estimular as indústrias de exportação, principalmente depois que a crise econômica afetou os setores de eletrônica e a indústria automobilística. O governo conduzido por Aso está lutando para reverter um encolhimento sem precedentes da economia. O iene forte fez com que os bens japoneses menos competitivos em relação aos produtos sul coreanos e chineses. Analistas de defesa defenderam, durante muito tempo, a opinião de que a indústria bélica japonesa, uma vez liberada de suas limitações, poderia rivalizar com os competidores britânicos, americanos e europeus. A reconhecida liderança do Japão na produção de motores miniaturizados, robótica, hardware e sistemas de controle são apontados como os fatores mais competitivos. A indústria bélica japonesa deve atender a normas militares. O artigo 9 da Constituição pós-guerra do país declara que o Japão renunciará à guerra como um direito soberano. A Constituição japonesa também proíbe que o país mantenha forças bélicas de ?terra, mar e aéreas, como também qualquer outro potencial de guerra.? Com o fim da Guerra Fria, porém, o Japão identificou uma falha na Constituição, e se permitiu construir uma considerável ?força de autodefesa?, que permitiu o reequipamento da Marinha, Exército e Forças Aéreas.
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