Os grandes escritórios de advocacia dos Estados Unidos começam a se ajustar à crise econômica. Uma onda de demissões atingiu quatro dos principais escritórios americanos. Esta semana começou com a demissão de 300 advogados e 522 paralegais demitidos.
O tradicional White & Case, fundado em 1901 em Nova York, planeja cortar 200 sócios e 200 funcionários administrativos. O Morgan, Lewis & Bockius cortou 55 advogados e 161 paralegais. A banca King & Spalding cortou 37 advogados associados e 85 pessoas da área administrativa. K&L Gates eliminou 36 vagas de advogados associados e demitiu 76 funcionários em seus escritórios nos EUA.
Se esses números não assustam se comparados às demissões de setores como a indústria automobilística ou da construção civil, quando se analisa o elevado grau de especialização de grande parte dos demitidos pelas maiores bancas os danos se revelam. De acordo com o Department of Labor's Bureau of Labor Statistics, o setor legal perdeu 4.200 empregos em fevereiro e 1.300 em janeiro. Vários consultores legais ouvidos pelo jornal The American Lawyer disseram que o setor ainda não chegou ao fundo do poço. Ou melhor, numa visão menos pessimista, os especialistas acreditam que a "velocidade e intensidade" das demissões não irão diminuir tão cedo. Peter Zeughauser, um consultor da Califórnia, afirmou que a onda de demissões vai prosseguir pelo menos até o quarto trimestre de 2009. William Brennan, consultor legal da Altman Weil, explicou que algumas bancas tinha segurado os cortes inicialmente, enquanto acreditavam poder resistir à tempestade. "Muitas empresas têm esperado, com esperança, que pudessem se adaptar aos novos tempos sem ter de demitir", contou Brennan. "Mas eles continuam assisitindo às sucessivas quedas de seus clientes potenciais na economia, e eles têm tiveram de fazer ajustes." Brennan observou que as demissões abalaram o setor legal, um segmento muito "altivo e orgulhoso", que sempre foi visto como muito estável e lucrativo. "O problema é que os advogados nunca viveram este tipo de situação antes", ponderou Brennan. "As demissões chocaram muitos sócios e trouxeram ansiedade aos austeros ambiente legais."
Adiamentos O tradicional White & Case anunciou que está "reavaliando" o formato de sua sociedade, o "que resultará em uma redução no número de sócios". A crise também está retardando a promoção de advogados à condição de "sócios". O White & Case informou que adiou a data de ingresso na sociedade de 60% dos indicados para sócios para depois de 2010. O presidente do Morgan, Lewis & Bockius, Francis M. Milone, informou os cortes a sócios e funcionários por meio de um e-mail no qual ele escreveu que a banca "adiou as demissões o quanto pôde". "Infelizmente, nós alcançamos o ponto em que acreditamos que o maior bem para o maior número de nossos colegas será alcançado eliminando algun postos, adequando a nossa estrutura de acordo com as novas realidades do ambiente econômico", escreveu. O porta-voz do Morgan Lewis se recusou a comentar quais foram as áreas ou escritórios mais atingidos pelos cortes. A banca fez uma apresentação em vídeo interna, apenas para discutir as demissões. Além de demissões, o Morgan Lewis está fazendo algumas mudanças significativas na admissão de novos sócios já em 2009. O escritório também vai adiar a entrada de novos sócios até outubro de 2010. Neste período, os novos sócios terão retiradas US$ 5 mil. Como medida de economia, em 2009 o Morgan Lewis não terá novos sócios. A empresa informou sócios de verão que ainda planeja segurar o programa e oferecerá o número habitual de posições permanentes para esses, mas datas de começo mudarão provável abaixo a linha. Robert D. Hays Jr.,chairman do escritório King & Spalding, declarou que "enquanto nós temos trabalhado duro de muitos modos diferentes para administrar a empresa para responder à redução em demanda, o declínio continuando nas economias norte-americanas e globais fez isto [as demissões] necessário. Os cortes atingiram 4,2% dos 875 advogados, e representam 6,4% de funcionários. King & Spalding tem 384 associados, dos quais 165 sediados em Atlanta. De acordo com Peter J. Kalis, diretor do escirtório K&L Gates, o pessoal sediado nos EUA e na Inglaterra representam quase 5% dos sócios, e aproximadamente 4% do pessoal de apoio. Kalis se recusou a oferecer mais informações sobre os escritórios e setores mais afetados pelos cortes.
Mas os cortes feitos pelo K&L Gate podem até ser considerados modestos se comparados com recentes demissões em outros escritórios, como no Latham & Watkins, que demitiu 190 advogados, 250 paralegais. Já o Orrick, Herrington & Sutcliffe cortou 110 advogados e 200 paralegais. O'Melveny & Myers demitiu 90 advogados e 110 paralegais.
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